Exames de imagem pelo SUS: espera longa no interior catarinense pressiona alternativas particulares

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A dificuldade de acesso a exames de diagnóstico por imagem pelo SUS em cidades de médio porte do interior catarinense — como Lages, Joaçaba e Caçador — tem se tornado um gargalo crescente para o sistema de saúde pública. Relatos de pacientes e profissionais de saúde apontam esperas que variam de seis meses a mais de um ano para ressonância magnética e tomografia computadorizada.

O gargalo do diagnóstico por imagem no interior

Diferente da atenção básica, que conta com UBSs distribuídas pelos bairros, os exames de alta complexidade — ressonância e tomografia — dependem de equipamentos caros e de manutenção especializada. Em muitos municípios catarinenses, há apenas um ou dois equipamentos para toda a população, com agenda lotada meses à frente.

O problema se agrava quando o paciente precisa do resultado para iniciar um tratamento. Em casos de suspeita de hérnia de disco, lesão ligamentar ou investigação neurológica, a espera prolongada pelo exame pode atrasar o diagnóstico e piorar o quadro clínico.

Fisioterapeutas e ortopedistas relatam que parte dos pacientes chega ao tratamento com lesões mais avançadas do que o necessário, justamente pelo atraso no diagnóstico.

A pressão sobre o mercado particular

Diante da espera, uma parcela da população que não teria condições de pagar pelo exame privado acaba buscando alternativas: parcelamento direto com a clínica, empréstimo, ou redes de agendamento com valores negociados abaixo do tabelado privado.

Esse movimento impulsionou o crescimento de redes que operam com clínicas parceiras e preços reduzidos — um modelo que tenta ocupar o espaço entre o SUS e os planos de saúde convencionais, cada vez mais caros para a classe média.

O que muda com mais acesso ao diagnóstico

Para especialistas em saúde pública, o diagnóstico precoce por imagem tem impacto direto em custos futuros: tratamentos iniciados cedo são menos complexos, menos invasivos e mais baratos — tanto para o paciente quanto para o sistema.

A expansão do acesso, seja pelo SUS, por planos ou por modelos alternativos, é apontada como prioridade para reduzir o número de casos que chegam às emergências hospitalares em estágio avançado.

Pontos principais

  • Espera por ressonância e tomografia no SUS chega a mais de um ano em cidades do interior de SC
  • Gargalo empurra pacientes para o mercado particular
  • Atraso no diagnóstico por imagem piora quadros que seriam tratáveis com rapidez
  • Modelos com clínicas parceiras e preço negociado crescem para preencher o gap

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